As tiras de Pagu

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Ela foi escritora, jornalista e militante comunista. Mas que poucos sabem é que Pagu também desenhava, não só ilustrações e croquis. Por um curto período de tempo arriscou-se nas tiras.

Foto: Arquivo Edgard Leuenroth/Unicamp

Quem foi Patrícia Galvão (1910-1962)?

Pagu veio de uma família conservadora, mas logo suas atitudes seriam contrárias a esse estilo de vida. Nascida em São Jão da Boa Vista em 9 de junho de 1910, morou em Vila Mariana, bairro classe média de São Paulo, e estudou no Caetano de Campos, na Praça da República, também em São Paulo. Pagu foi para os padrões da época uma mulher diferente. Ela fumava na rua, falava palavrão, usava roupas transparentes e cabelos arrepiados. E mesmo não tendo participado da Semana de Arte Moderna (já que tinha apenas 12 anos) ela se tornou musa dos modernistas, e por influência do casal Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral, se integrou em 1928 ao movimento antropofágico, de cunho modernista.

Pagu, Elsie Lessa, Tarsila do Amaral, Anita Malfatti e Eugênia Álvaro Moreyra

Da esquerda para a direita: Pagu, Elsie Lessa, Tarsila do Amaral, Anita Malfatti e Eugênia Álvaro Moreyra por volta de 1928

Em 1930 Oswald de Andrade se separau de Tarsila e casau com Pagu. E daí muita coisa aconteceu. Em um artigo publicado no Almanaque da Baixada Santista – 1973, o jornalista Evêncio da Quinta narra como Pagu virou uma militante política:
“Dois anos antes, em 1931, assistindo a um comício do partido na Praça da República, em Santos, vê a Cavalaria cair em cima dos operários e é ela quem ampara o estivador Herculano de Souza, com a cabeça partida. Ele morre em seus braços. Em seguida vai presa. É a primeira mulher brasileira a ser presa por motivos políticos. Este fato a marcou profundamente, e talvez tenha sido o “estalo” de que necessitava para aderir à luta “pesada”.”

Pagu deixando o presídio. Foto: Arquivo Edgard Leuenroth/Unicamp –

Não vou me prolongar na história de sua vida, pois na internet e fora dela há inúmeros textos. Quem quiser conhecer a história dessa mulher não irá se arrepender. Voltando…

Foi logo depois de Pagu se casar com Oswaldo de Andrade que juntos lançam o jornal “O Homem do Povo”. O jornal foi criado pelo casal e dirigido por eles. Ele teve curta duração porque foi proibido por policiais depois de uma briga com estudantes de direito, em apenas oito edições o jornal satirizava a sociedade capitalista e burguesa no Brasil, trazia textos políticos e contou com a participação de Queiroz Lima e do crítico Astrojildo Pereira. Nessas 8 edições Pagu publicou tiras e ilustrou o jornal e publicou sua coluna “Mulher do Povo”.

A história em Quadrinho chamada: Malakabeça, Fanika e Kbelluda, descreve situações de Kbelluda, a sobrinha pobre de Malakabeça e Fanika, um casal que não teve filhos.


Algumas pessoas contam que Pagu copiou o estilo de Tarsila ao desenhar, e realmente lembra um pouco. Mas não deixa de carregar a personalidade de Pagu. O desenho não é proporcional e nem detalhista, vem acompanhado de legenda – características dos quadrinhos antigos. Em 3 quadros Pagu faz críticas aos fatos da época, como nessa tira em que mostra a perseguição policial aos militantes comunistas:

Pagu desenhou para outros jornais e revistas, mas essas são as únicas tiras que se tem conhecimento. Veja aqui suas outras 6 tiras:

Pagu casou-se de novo depois. Muita coisa aconteceu até descobrir que tinha câncer. Depois de uma cirugria sem sucesso, feita em Paris, tenta um suicído que não deu certo. Ela morre no Brasil em 12 de dezembro de 1962. Seus quadrinhos podem ser encontrados no fac-similar do Jornal Homem do Povo, vendido na internet.

Assista aqui um doc. De 15min sobre Pagu.

Curiosidades:

-O apelido Pagu foi dado por Raul Bopp. Ela teria mostrado a Raul alguns poemas e, na mesma ocasião, o poeta sugeriu que ela adotasse um “nome de guerra” literário. Sugeriu Pagu, brincando com as sílabas do nome da escritora, que Bopp equivocadamente acreditava se chamar Patrícia Goulart.
- Hoje existe uma Instituição que leva seu nome e que possui um site para atuar na produção de notícias e conteúdos sobre os direitos das mulheres brasileiras.
- Para saber mais sobre Pagu: http://www.pagu.com.br/blog/home/

Obs.: As fotos são de celular por isso não estão em boa qualidade.

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As Crônicas de Corinne Mucha

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Corinne Mucha diz que sempre soube que gostaria de trabalhar como escritora ou como desenhista. Trabalhar com livros infantis era o caminho mais fácil para isso. No final, quando se viu trabalhando como quadrinista, percebeu que há muito tempo já estava ligada à nona arte – era desde os rabiscos no caderno, até os desenhos feitos nos cartões e livros de HQ presenteados para os amigos.

Sua produção independente é o que chama mais atenção. A autopublicação de cerca de nove minicomics a fez viajar para vários eventos de quadrinhos para os vender e conhecer outras pessoas interessadas nisso. Geralmente vai em quatro eventos por ano. Esta é uma das formas mais importantes que a quadrinista tem para divulgar o seu trabalho.

Minicomic: "My Every Single Thought"

Os temas mais recorrentes nos minicomics é a vida de Corinne. Ela começou a fazer HQ como uma forma de falar sobre o seu dia a dia sem comprometimento. No final de um semestre, com o estímulo de colegas, ela passou a ter um caderno mantido como diário durante quatro meses e que depois virou um vício.

Mucha conta as suas experiências de maneira engraçada e simples. O estilo visual do comic é meio tosco, que acompanha muito bem o ritmo, deixando a narrativa cada vez melhor.

Minicomic: "Shithole: the story of my first apartment"

Além da produção própria, Corinne publicou as tiras mensais “Etiquette Barnyard” (e ilustrações) para o jornal Philadelphia Inquirer;  desenhou “Split in Two: Keeping it Together When Your Parents Live Apart” pela Zest Books; e fez ilustrações para o quadrinho “The Scooter Love Bus” para Genuine Scooters. Ela faz também trabalhos variados como HQ para casamentos, estação de rádio e outros impressos.

A autora também ama trabalhar com permuta como, por exemplo, em um estúdio de yoga para ganhar aulas e, em época de colheita, trabalha num carrinho de produtos em troca de vegetais.

A tira mensal "Barnyard Etiquette"

Este mês será lançado o comic “The Monkey in the Basement and Other Delusions” que possui três histórias reais da autora. Uma das histórias era quando ela acreditadava que havia um macaco morando no porão, outra era quando acreditava ser uma recarnação e podia voar. As decepções de saber a verdade são compartilhadas com o leitor.

Corinne agrada quem gosta de uma boa comédia feita sobre o cotidiano particular, mas que pode acontecer com qualquer pessoa. O que não dá para imaginar são os pensamentos mirabolantes que saem da autora – e isso é a parte mais interessante! Quem nunca matou uma planta porque esqueceu de pôr água? Para Mucha, esse é o carma da vida dela.

"One day I will be the kind of person who does not kill plants" / A tipografia desenhada por ela é perfeita para seu estilo de ilustração, agradável demais.

Conheça o blog onde ela publica os quadrinhos desde 2008 – é por ele que vemos o progresso do traço de Corinne Mucha e sua rotina: www.maidenhousefly.com/blog
Visite também o site oficial, ali poderá ler alguns dos minicomics já lançados: www.maidenhousefly.com
Recomendo todos! :D

Hasta! ;)

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O mundo pós-apocalíptico de Yumi Tamura

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Diferente do futuro otimista que Yumi construiu em Basara, em 7Seeds o futuro pós-apocalíptico é bem mais cruel com os que acordaram num mundo desconhecido de sua antiga realidade.

Tamura começou a escrever o mangá depois de ver as notícias sobre o asteroide (89959) 2002 NT7 que pode atingir Terra em fevereiro de 2019. Yumi fez suas previsões de como o planeta ficaria e de como os governantes reagiriam à catástrofe.

O Japão é o país retratado na história, que se passa num ano indeterminado. O primeiro capítulo começa com flashes de uma das pessoas que acordaram nesse futuro de Yumi.

"Quando você acorda, você não sabe se você está no céu ou no inferno, mas você deseja fortemente sobreviver."

Cinco grupos contendo sete integrantes, as sete sementes, e um guia são preservados, com objetivo de cultivar a vida humana. Os grupos foram selecionados com cautela para que não diminuísse a chance de sobrevivência. Para os governantes teria duas opções de futuro para as 35 pessoas: acordar em um sonho ou num pesadelo.

A Terra mudou muito, o horror no mangá está atrelado as novas espécies de animais e plantas que evoluíram. O ser humano se tornou uma presa fácil.

O que chamou a atenção foi que entre esses cinco grupos existe um que não é composto por jovens prodígios, mas de pessoas que são consideradas  fracassadas como cidadãos japoneses – uma adolescente que não saía mais de casa por ter sofrido na escola, um assassino e um delinquente são alguns deles.

Um dos focos interessantes visto no mangá é a parte psicológica dos personagens. As necessidades de sobreviver, superar traumas do passado e de ser amparado por entes que não estão presentes nos momentos mais difíceis, são exploradas para chegar à superação ou ao desespero total durante a trama.

A triste tentativa dos humanos em sobreviver após o impacto do asteroide é revelada no quadrinho.

As surpresas ao longo da história são intermináveis e as vezes é impossível não ficar agoniado com algumas situações. Os detalhes de como foi o final da humanidade após a queda do asteroide é contada. O horror e o drama são sempre bem dispostos e mesmo depois de 10 anos publicando o mangá, a qualidade da história não decaiu.

A arte de Tamura é incrível. Os detalhes das cenas melhoram na forma como é contada e como isso atinge bem o leitor.

Até agora foram publicados 21 volumes e ganhou o prêmio Shogakukan Manga Award na categoria shoujo, em 2007. Sempre está presente nas listas dos mais vendidos no Japão e conseguiu vender mais de 10 milhões de cópias da série.

Yumi começou a carreira com o a história curta Ore-tachi no Zettai Jikan (“This is the Time for Us”), em 1983, no mesmo ano que ganhou o premio Shogakukan Grand Prize na categoria de novo artista.

Tamura já fez cerca de 30 quadrinhos e os gêneros mais explorados são romance, drama, aventura e mistério. Os trabalhos mais conhecidos são Basara e 7Seeds.

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